Para Atingir Metas Climáticas, Energias Renováveis Precisam Representar 85% da Geração de Energia até 2050, Diz IRENA

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Para Atingir Metas Climáticas, Energias Renováveis Precisam Representar 85% da Geração de Energia até 2050, Diz IRENA
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O crescimento no uso de fontes renováveis de energia nunca foi tão grande no mundo como nos últimos anos, porém este precisa ser muito maior, e mais rápido, se queremos atingir as metas de descarbonização fixadas no acordo de Paris de 2015 (COP 21).

Este é o alerta dado pela International Renewable Energy Agency (Agência Internacional de Energias Renováveis, ou IRENA em inglês) em seu relatório Global Energy Transformation: A Roadmap to 2050  (Transformação Energética Global: Um Mapa Para 2050), lançado em Berlim durante um evento do setor elétrico.

Observando que o atual ritmo de emissões de CO2 não está a caminho de manter a temperatura mundial abaixo de dois graus Celsius (meta estipulada durante a COP 21 para se evitar as catástrofes desse aquecimento global) a IRENA afirma que ações imediatas precisam ser tomadas.

Em discurso durante 4º Diálogo sobre a Transição Energética de Berlim, o diretor-geral da IRENA, Adnan Z. Amin, disse que para a descarbonização da energia global acontecer, as energias renováveis devem responder por, pelo menos, dois terços da energia total até 2050.

Em seu relatório, a Agência informa que as emissões anuais, juntas, devem ser reduzidas em pelo menos 470 gigatons até 2050, em comparação com as políticas atuais e planejadas (business-as-usual).

Isso significa que as energias renováveis precisam ser ampliadas pelo menos seis vezes mais rápido para que o mundo comece a atingir as metas estabelecidas no Acordo de Paris de maneira eficaz, trazendo benefícios econômicos, sociais e ecológicos a níveis nacional e global.

Principais Pilares e Riscos

Segundo a IRENA, os principais pilares dessa transição são eficiência energética e as fontes de energias renováveis que, juntas, podem reduzir mais de 90% das emissões de CO2 relacionadas com a energia.

Embora a parcela total de renováveis precise aumentar para cerca de dois terços até 2050, a intensidade energética precisa cair em dois terços, reduzindo o fornecimento total de energia primária para um nível ligeiramente inferior ao de 2015, diz o relatório.

O relatorio da IRENA também sugere que as energias renováveis podem representar 60% ou mais do consumo total de energia final em muitos países até 2050.

Enquanto isso, a procrastinação para embarcar nessa transição é vista como o principal risco, assim como ações antecipadas para canalizar investimentos nessas tecnologias corretas sejam essenciais para reduzir o uso das reservas fósseis que devem ser mantidas para atingir as metas de descarbonização.

Tornando o Setor de Energia Mais Verde

Embora progressos significativos tenham sido feitos nos últimos anos, a IRENA sugere que a sua velocidade precisa ser acelerada.

As renováveis registraram um crescimento robusto de 8,3% em 2017,  com o setor de energia adicionando 167 GW de capacidade de energia limpa e estabelecendo novos recordes para a solar e eólica, 94 GW e 47 GW, respectivamente.

Mas, para alcançar as metas da COP 21, a parcela de renováveis no setor elétrico mundial, que está no centro da transição para um futuro energético sustentável, deve aumentar dos 25% em 2017 para 85% até 2050, principalmente por meio do crescimento na solar e eólica.

Custos, Investimentos e Empregos

Obviamente, essa transformação energética irá demandar altos custos, mas a economia resultante com a redução da poluição atmosférica, melhor saúde e menores danos ambientais superaria em muito esses custos.

De acordo com a IRENA, os custos adicionais para se alcançar essa transição energética abrangente e de longo prazo totalizariam anuais US$ 1,7 trilhão até 2050, enquanto a economia nessas três áreas somaria US$ 6 trilhões por ano em 2050.

Além disso, o relatório mostra que a transição energética estimularia a atividade econômica, resultando em ganhos cumulativos através do aumento do PIB dos países, de 2018 até 2050, de US$ 52 trilhões.

O investimento acumulado no sistema energético precisaria aumentar cerca de 30% do atualmente planeja entre 2015 e 2050, de US$ 93 trilhões para US $ 120 trilhões, com a maior parte destinada para energia renovável e eficiência energética.

Outro benefício importante dessa transição energética seria o aumento do emprego no setor energético. O relatório conclui que, enquanto 7,4 milhões de empregos seriam perdidos no setor de combustíveis fósseis até 2050, 19 milhões de novas vagas seriam criadas em energia renovável, eficiência energética, melhoria da rede e flexibilidade energética, para um ganho líquido de 11,6 milhões de empregos.

“A transformação não apenas beneficiaria objetivos climáticos, mas traria resultados sociais e econômicos positivos em todo o mundo, tiraria milhões da pobreza energética, aumentaria a independência energética e estimularia o crescimento sustentável do emprego”, afirmou o diretor da IRENA.

“Existe uma oportunidade para aumentar o investimento em tecnologias de baixo carbono e mudar o paradigma do desenvolvimento global de escassez, desigualdade e competição para uma de prosperidade compartilhada em nossas vidas. Essa é uma oportunidade que devemos agarrar, adotando políticas fortes, mobilizando capital e impulsionando a inovação em todo o sistema energético”.

Texto original: PV Magazine – Site

Analista de Marketing
Redator e Tradutor

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