Sistemas Instalados No Brasil Devem Triplicar de Número Em 2017

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Sistemas Instalados No Brasil Devem Triplicar de Número Em 2017
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O segmento de geração distribuída no Brasil apresentou um crescimento de quase 50% de janeiro até junho deste ano e, atualmente, conta com 12.340 unidades geradoras da própria energia, com 98% dos quase 140 MW gerados vindo através da fonte solar, a mais utilizada pelos brasileiros.

Esses são dados oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), órgão que criou e que cuida da regulamentação das normas de geração de energia pelo próprio consumidor, o qual, além de contar com essa energia para consumo, ainda é compensado por aquela energia gerada e injetada na rede da distribuidora, através do sistema de créditos energéticos.

Considerando esse crescimento, o Brasil poderá chegar ao final de 2017 com quase 20 mil sistemas instalados, o que irá representar um crescimento de 3 vezes somente neste ano. Até 2024, ainda, poderão ser 1,2 milhão de brasileiros gerando a própria energia.

Quem prevê isso é Nelson Colaferro, fundador da Blue Sol Energia Solar, empresa de serviços e consultoria no setor solar e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

“O consumidor está ainda conhecendo o sistema, testando, nos próximos anos a microgeração distribuída vai crescer em velocidade acelerada”, afirma Colaferro.

Novas Modalidades

Um dos motivos que devem levar a esse crescimento do setor, além da vontade dos brasileiros em gerar a sua própria energia e se livrar da inflação energética, são as novas modalidades de geração criadas pela ANEEL em sua resolução normativa 687, de novembro de 2015, mas que passou a valer em março do ano passado.

São elas a geração em empreendimentos com múltiplas unidades consumidores, geração compartilhada e autoconsumo remoto. Através destas, mais consumidores passaram a poder gerar a própria energia, como moradores de condomínios prediais e residenciais, empresas com várias unidades e moradores sem espaço para a instalação do sistema fotovoltaico em suas casas.

Esses últimos podem, agora, gerar a energia em outro local, desde que dentro da área de concessão da distribuidora, através do autoconsumo remoto, a qual é a nova modalidade que mais se espalha entre os brasileiros.

De acordo com a ANEEL, são 846 sistemas instalados de geração remota, os quais geram créditos para 2.209 unidades consumidoras.

Um exemplo de empresa que já faz uso dessa modalidade é a rede de farmácias Pague Menos, no Ceará, a qual abastece 39 unidades através do sistema instalado em seu centro de distribuição. Os planos são de abastecer todas as 1.005 lojas até 2019, gerando R$11 milhões de economia anual.

Já a geração em condomínios ainda não se estabeleceu no país, com a ANEEL registrando apenas um sistema até junho. De acordo com Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, isso pode ser explicado pelo fato da maioria dos condomínios já existente não possuírem espaço para a implantação do sistema, porém que a modalidade é bem atraente para reduzir até 12% dos gastos mensais do empreendimento.

“Acredito que será uma tendência forte entre os novos empreendimentos, que já serão projetados para receber os equipamentos”, diz Gebara.

Essa tendência já pode ser percebida nos projetos anunciados pela construtora MRV, a qual irá lançar 17 mil imóveis com energia solar neste ano, espalhados em 34 condomínios, além do projeto piloto que está desenvolvendo em Belo Horizonte, onde um sistema de 500 kW irá alimentar toda a energia dos 440 apartamentos de um condomínio no bairro da Pampulha.

Caso de Sucesso

Com um investimento de R$163 mil em um sistema de 25 kWp, o grupo agropecuário Beabisa, de Ribeirão Preto, está economizando 90% dos R$3,2 mil mensais gastos com energia, através do projeto instalado no curral para 300 cabeças de gado na fazenda em Rio da Mata, e que alimenta toda a fazenda, além do escritório e apartamento dos proprietários na cidade.

“Os equipamentos possuem vida útil de 25 anos. Em menos de sete anos, vamos obter o retorno do investimento. Depois é lucro”, afirma Rodolfo Biagi, diretor da Beabisa. 

Analista de Marketing
Redator e Tradutor

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