Enquanto Secas Encarecem Energia Elétrica, Solar Triunfa no Nordeste

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Enquanto Secas Encarecem Energia Elétrica, Solar Triunfa no Nordeste
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Privilegiado com a abundância de diversas fontes naturais para geração de energia elétrica, o Brasil enfrenta mais um ano de falta de energia devido ao período de estiagem que compromete os reservatórios das usinas hidrelétricas, fonte da qual ainda vem a grande parte da energia elétrica do país.

Com isso, nesse mês de outubro as contas de luz de toda a população passam a ficar mais caras devida a cobrança adicional gerada pelo sistema de bandeiras tarifárias, criado pelo governo em janeiro de 2015 para mediar uma verdadeira crise energética que se agrava a cada ano no país.

Segundo os últimos dados disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), desde que foi iniciado, os brasileiros já arcaram com 19 meses de bandeira vermelha do sistema, a mais cara e que indica que a geração elétrica no país está em níveis críticos.

Isso representa mais de 50% do total de 34 meses desde que as bandeiras passaram a valer e, segundo os cálculos, gerou uma conta adicional de R$20,8 bilhões nesse período, pagas pelos consumidores que, por muitos anos, se encontravam presos nesse verdadeiro cativeiro criado pelas distribuidoras, até a chegada dos sistemas fotovoltaicos conectados à rede.

Porém, o que já era pesado ao consumidor fica ainda pior a partir deste mês, pois pela primeira vez a bandeira vermelha de patamar 2 foi acionada, a qual gera uma cobrança adicional de R$3,50 a cada 100 megawatt-hora de energia consumida, um aumento de 75% frente ao valor cobrado no mês passado, de R$2,00, resultante da bandeira amarela então em vigor.

Esse é um verdadeiro alerta de nível máximo para a situação hídrica do país, que apresenta os níveis mais baixos já registrados em seus reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, os quais atendem 70% de toda a geração do Brasil.

A solução do governo para suprir esse déficit de energia, até então, era o acionamento das termelétricas a óleo e gás natural, as quais, além de mais caras, também são poluentes e criam um paradoxo ao alimentar o efeito estufa, responsável por esses períodos de estiagem atípicos.

Agora, entretanto, a situação encontra-se em nível tão crítico que o governo anunciou, no mês passado, que passará a importar, semanalmente, energia da Argentina e Uruguai até o final de 2018, como forma de poupar os minguados níveis dos reservatórios nacionais.

Nordeste do Sol  

Essa, no entanto, se apresenta como uma solução temporária e pouco eficiente, além de um extremo desconexo com o potencial de geração elétrica por outras fontes presentes em abundância no país, como a Solar e eólica.

Quando se trata da solar em específico, a tecnologia fotovoltaica que a utiliza para gerar energia elétrica cresce forte em um país com fartura de luz do sol, e já poupa mais de 14 mil consumidores das consequências dessa falha no gerenciamento elétrico do governo.

O crescimento do segmento de geração distribuída, entretanto, vem principalmente de esforços das empresas atuantes no país e da vontade do consumidor em gerar a sua própria energia, necessitando de mais incentivos do governo para que ela chegue as parcelas mais carentes da população.

Enquanto isso, os projetos de usinas solares que poderiam ser a solução para complementar uma matriz energética diversificada, crescem de forma apenas singela no país devido ao pouco apoio dado pelo governo à fonte, com maior destaque para a região Nordeste, campeã nos índices de radiação solar.

Àquelas já em operação, entretanto, vêm apresentando recordes em seus volumes de geração, comprovando o potencial da fonte no país em relação as demais fontes.

Embora atendam apenas 4% do consumo da região, as usinas espalhadas no Nordeste apresentaram uma geração pico de 421 megawatts no último dia 4 de outubro, porém com um rendimento melhor do que a fonte hídrica e bem próximo da fonte eólica, fontes que atendem, respectivamente, por 13,7% e 54% do consumo elétrico do Nordeste.

Esse rendimento alcançado pela fonte solar no Nordeste foi superior àqueles alcançados por países como China e Alemanha, que apostam de forma bem mais pesada na tecnologia.

Já o Brasil, pela demora nos investimentos para aproveitamento da fonte, pode sofrer com a falta de energia em uma região com abundância de luz solar.

Segundo Fernando Ximenes, pesquisador e empresário, com a crise do sistema hídrico e o término da alta estação de ventos no final de outubro, além da falta de estrutura para armazenamento da energia solar, o sistema elétrico do Nordeste pode enfrentar crises em um período de curto prazo.

Fontes de informação: G1Site – Site    O PovoSite

Analista de Marketing
Redator e Tradutor

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