Balões movidos por energia solar levam internet de alta velocidade à África

Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UTI), quase metade da população mundial ainda não possui acesso à internet.

Essa é uma lacuna de consumidores que grandes empresas de tecnologia, como o Google e Facebook, vêm tentado alcançar através de projetos paralelos.

No último dia 8 de julho, a Alphabet, empresa-mãe do Google, deu um passo à frente nesse objetivo ao iniciar a primeira operação comercial de balões de internet movidos por placas de energia fotovoltaica.

Para chegar aqui, a tecnologia percorreu mais de 10 anos de estudos e testes, como o realizado em Porto Rico após o furacão Maria, em 2017, e no Peru, após o terremoto de 2019.

O projeto no Quênia será administrado pela Loon, também da Alphabet, que fechou acordo comercial com a Telkom Kenya, operadora que irá oferecer o sinal à população.

O projeto foi anunciado há dois anos, mas a aprovação final do governo queniano só foi dada neste mês.

Como destacado pelo ministro da Informação do Quênia, Joe Mucheru, o país é o primeiro do continente a utilizar a tecnologia. “Agora poderemos cobrir o país inteiro em um período muito curto de tempo”, disse ele.

Isso porque uma das vantagens da tecnologia é sua cobertura de sinal, cerca de cem vezes mais ampla que a de uma torre tradicional.

Imagem: divulgação Loon

Equipados com painéis solares e baterias, os grandes balões translúcidos flutuam a uma altura de quase 20 km e são capazes de permanecer em voo por 100 dias até regressarem ao solo.

O projeto prevê 35 balões movidos por energia solar em circulação na estratosfera acima do leste da África.

Lançados a partir de instalações na Califórnia e Porto Rico, eles são controlados por computadores da estação de voo localizada no Vale do Silício e se deslocam através de correntes de vento usando hélio e pressão para dirigir.

A área de serviço abrange quase 50 mil quilômetros quadrados do Quênia central e ocidental, com mais de 35 mil usuários conectados à rede até o momento.

Antes da tecnologia, os moradores da região costumavam viajar mais de 60 km até as cidades mais próximas para obter uma conexão à Internet.

Segundo testes, a internet chega a velocidades de upload de 4,74 megabits por segundo, download de 18,9 megabits e latência de 19 milissegundos.

A empresa espera que o sinal do serviço melhore à medida que mais balões forem adicionados, mas atualmente ele já foi capaz de suportar YouTube, WhatsApp, e-mail e navegação web.

Um dos vários projetos futuros da Loon é levar o acesso à Internet a partes remotas da Amazônia, previsto para este ano por meio de uma parceria com a Internet Para Todos Peru.

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