Energia Renovável no Brasil: Uso Atual nas Usinas e na Geração Pelos Consumidores

Energia Renovável no Brasil: Uso Atual nas Usinas e na Geração Pelos Consumidores
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A maior parte da energia renovável gerada hoje no Brasil ainda vem das grandes hidrelétricas, que respondem por 60,8% da matriz elétrica. Mas isso deverá mudar nos próximos anos, conforme crescem as capacidades instaladas das fontes eólica e solar, esta última também em projetos instalados em casas e empresas.

O Brasil é um país com ampla oferta de fontes de energia alternativas, ou fontes renováveis.

E elas são responsáveis por grande parte da geração elétrica no país.

Atualmente, a maior quantidade ainda vem das usinas hidrelétricas, que dominam a matriz elétrica brasileira.

Entretanto, a cada ano elas perdem espaço para outras fontes de energia limpa, em especial a eólica e solar.

Seu uso é feito tanto em grandes usinas como também em projetos menores, instalados nas casas e empresas dos brasileiros que geram sua própria energia.

Conheça abaixo o cenário da energia renovável no Brasil dentro desses dois segmentos.

Geração Centralizada e Distribuída

Mas, antes disso, deixa eu explicar rapidamente quais são esses dois segmentos do setor elétrico.

Até muito pouco tempo atrás, a única alternativa para os brasileiros era consumir a energia da rede elétrica.

Em 2012, então, criou-se o segmento de geração distribuída.

Isso ocorreu através das regras homologas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em sua Resolução Normativa 482.

Assim, o setor elétrico passou a comportar dois segmentos: geração centralizada e geração distribuída.

A geração centralizada é a forma tradicional do fornecimento de energia elétrica.

Ou seja, é a energia gerada em grandes usinas (como as hidrelétricas) e que chega até aos consumidores através da rede elétrica.

Já a geração distribuída é a energia gerada pelo consumidor, próximo ou no mesmo local de consumo.

Confira abaixo uma explicação rápida sobre isso:

Além da vantagem para os consumidores, a criação da geração distribuída também foi benéfica para a energia renovável no Brasil.

Isso porque os micro e minigeradores instalados só podem ser alimentados por fontes de energia limpa.

São elas: solar, hidráulica, eólica e biomassa.

O limite de potência dos geradores depende da fonte que ele utiliza, mas o tamanho máximo que eles podem chegar é de até 5 megawatts. 

Confira abaixo um mapa ilustrativo que explica melhor a diferença entre geração de energia centralizada e distribuída.

energia renovável no brasil _ mapa da geração elétrica no brasil

Energia Renovável no Brasil: Geração Centralizada

A matriz elétrica brasileira é uma das mais limpas do mundo.

Em ordem decrescente de capacidade instalada, as fontes renováveis mais utilizadas em usinas no Brasil são:

  1. Hídrica – 104,34 GW
  2. Biomassa – 14,76 GW
  3. Eólica – 14,73 GW
  4. Solar – 2,05 GW
  5. Ondomotriz – 0,05 MW

O Brasil possui mais da metade de sua geração elétrica movida pela força das águas.

Esse extenso uso se explica pelo alto potencial da fonte no país, que perde apenas para a Rússia e China.

As primeiras hidrelétricas no Brasil datam do final da década de 1880.

Com 14 GW (gigawatts) de capacidade de produção, a grande usina de Itaipu é, hoje, a segunda maior hidrelétrica do mundo.

Ela perde apenas para a Três Gargantas, na China, com 18 GW.

Mas esse cenário está mudando.

Os períodos de estiagem que castigam os reservatórios, somado ao desenvolvimento de novas tecnologias, enfraquecem a cada ano mais o reinado das grandes hidrelétricas no Brasil.

Hoje, os investimentos feitos em geração hídrica voltam-se à construção de projetos de pequena central hidrelétrica (PCH).

Em segundo lugar está a geração por termelétricas movidas a biomassa.

Em 2016, o Brasil possuía 517 dessas usinas, segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A maioria delas utiliza o bagaço da cana-de-açúcar como combustível.

Outras matérias primas para combustão são: lixívia, resíduos florestais e carvão vegetal.

energia renovável no brasil _ matriz elétrica brasileira
  Fonte: CCEE/ABSOLAR, 2018. Última atualização: 04/04/2018

Liderando as novas tecnologias, a energia eólica vem em terceiro lugar.

A tecnologia registrou enorme crescimento nos últimos anos, especialmente na região Nordeste, que apresenta os melhores ventos do Brasil.

São, atualmente, mais de 600 parques eólicos instalados em todo o país.

Já a energia solar é a grande aposta para a geração elétrica do Brasil nos próximos anos. 

A tecnologia fotovoltaica tem conquistado a maioria dos projetos nos últimos leilões de energia promovidos pelo governo.

Os preços altamente competitivos da tecnologia e a maior viabilidade de implantação são algumas das razões para isso.

Assim, as projeções da EPE apontam que, de 1,2% hoje, a energia solar deverá saltar para 10% de participação na matriz elétrica brasileira até 2030.

Por último está a geração pela força das ondas, Ondomotriz.

Ela possui participação ínfima na matriz elétrica, mas seu potencial é grande.

Teoricamente, a costa brasileira poderia gerar até 14 GW de energia.

Porém, sua tecnologia ainda é cara e requer maior desenvolvimento para angariar mais projetos de geração.

Energia Renovável no Brasil: Geração Distribuída

Se na geração centralizada o cenário atual é de mudanças, na geração distribuída o placar já está definido.

E a grande vencedora é a energia solar fotovoltaica.

Desde a sua criação, em 2012, o segmento distribuído cresce puxado pela tecnologia das placas solares.

As razões para isso são muitas, sendo a principal delas a maior disponibilidade da fonte no território brasileiro.

Dos mais de 112 mil geradores instalados hoje no Brasil, 99% deles são sistemas fotovoltaicos conectados à rede. 

De acordo com os dados da Aneel (data 30/09/19), os micro e minigeradores no Brasil estão divididos em: 

Geração Distribuída
FonteNº de GeradoresPotência Instalada
Solar111.9001,2 Gigawatts
Biomassa17448,4 Megawatts
Hídrica9388,0 Megawatts
Eólica5910,3 Megawatts

Projetos em construção e previsões para futuro

Podemos ver então que a energia renovável já possui grande participação na geração elétrica do Brasil.

E a tendência é que ela cresça ainda mais.

Segundo o BIG (Banco de Informações de Geração) da Aneel, existem diversos projetos em construção de usinas movidas por renováveis.

Quando concluídas, essas usinas irão agregar mais capacidade de geração limpa à matriz elétrica brasileira.

Segundo os dados, os projetos em construção e suas capacidades acumuladas são:

Empreendimentos em Construção
Tipo de UsinaQuantidadePotência
Central Geradora Hidrelétrica48,5 Megawatts
Central Geradora Eólica541,11 Gigawatts
Pequena Central Hidrelétrica28349,8 Megawatts
Central Geradora Solar Fotovoltaica24652,4 Megawatts
Usina Hidrelétrica2177,9 Megawatts
Empreendimentos com Construção não Iniciada
Tipo de UsinaQuantidadePotência
Central Geradora Hidrelétrica25,1  Megawatts
Central Geradora Eólica1515,1 Gigawatts
Pequena Central Hidrelétrica1021,4 Gigawatts
Central Geradora Solar Fotovoltaica943,9 Gigawatts
Usina Hidrelétrica6659 Megawatts

Isso sem contar as usinas termelétricas, que não entram nessa lista por não estarem dividias em projetos à biomassa e à gás natural.

Já na geração distribuída, a última projeção oficial da Aneel estima que serão 886.700 geradores instalados no Brasil até 2024.

Isso resultaria em uma potência acumulada de 3,2 gigawatts somente por micro e minigeradores distribuídos.

 


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