Geração distribuída no Brasil pode atingir 24,5 GW de capacidade até 2030

Segundo a última projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil pode atingir uma capacidade de 24,5 Gigawatts em Geração Distribuída (GD) de energia até 2030.

Para isso, a estatal estima um público de 3 milhões de consumidores com micros ou minigeradores instalados e um acúmulo de investimentos na ordem de R$70 bilhões. 

A previsão é mais otimista do que a traçada pela EPE no seu Plano Decenal do ano passado, que estimava 11,4 GW de capacidade no segmento e aportes de quase R$50 bilhões até 2029.

O novo estudo, no entanto, traça dois cenários distintos que levam em consideração o grau de mudanças previstas nos incentivos do Governo Federal para o segmento. 

Enquanto os 24,5 GW fazem parte do chamado “cenário verão”, no qual as regras atuais sofreriam mudanças leves, o “cenário primavera” prevê a evolução do segmento com uma maior redução de incentivos tarifários.

Nesse último, a EPE estima um público de 2 milhões de consumidores com GD até 2030, totalizando uma capacidade de 16,8 GW e uma soma de investimentos de R$50 bilhões.

As mudanças regulatórias na GD previstas pela Aneel, e que ficaram em pausa desde o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro à favor do segmento, ainda estão sendo estudadas pela Agência e podem voltar a serem debatidas.

Em um cenário sem qualquer alteração das regras vigentes, chamado de “limite superior”, a EPE estima uma capacidade de 35,8 GW para a GD até 2030.

Ainda de acordo com o estudo, nos cenários “verão” e “primavera” a capacidade desses geradores atenderia, respectivamente, cerca de 4,6% e 3,2% da carga total de energia até 2030.

Iniciada em 2012 com as regras da Aneel, a GD cresce a passos largos no país e registra hoje uma capacidade de mais de 3,8 GW, segundo o banco de dados da agência, que controla o segmento.

Mais de 99% dos geradores conectados no país são alimentados pela energia solar, os chamados sistemas fotovoltaicos que funcionam por meio das placas solares.

De acordo com o estudo, a tecnologia foi a segunda maior expansão em termos de potência instalada no país em 2019, com 1,4 GW, atrás apenas das grandes hidrelétricas.

Para a próxima década, a EPE prevê a continuidade da liderança da fotovoltaica na GD do Brasil, com 79% de toda a energia gerada e entregue.