Placas solares flutuantes como solução para hidrelétricas no Brasil

Usinas solares flutuantes podem ser a solução ideal para compensar a baixa produção de hidrelétricas no Brasil.

Esta é uma das principais conclusões do estudo “Sistema fotovoltaico flutuante como um caminho alternativo para a subprodução da barragem da Amazônia”, feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan e publicado recentemente no jornal acadêmico Renewable and Sustainable Energy Reviews.

Segundo os pesquisadores, a tecnologia solar flutuante aplicada em larga escala nas inúmeras barragens do país melhoraria a confiabilidade geral do sistema, que sofre com os recessos de geração causados pelas secas nos reservatórios.

Da mesma forma, esses projetos dariam aos operadores das hidrelétricas mais flexibilidade para despachar energia durante os períodos de pico de demanda, além de ajudar o Brasil a aumentar a sua capacidade de geração sem construir novas barragens.

Atualmente, o Brasil possui 109,1 GW de capacidade hídrica, mais de 60% da sua matriz elétrica, mas o governo pretende atingir 114,4 GW até 2023.

No entanto, a extensa infraestrutura hidrelétrica do país tem se mostrado bastante frágil devido às secas severas como a de 2014, quando o governo decidiu investir em mais energia eólica e solar.

Com isso, o déficit da produção de energia pelas grandes usinas hidrelétricas no Brasil hoje é de aproximadamente 12 GW.

A implantação de sistemas fotovoltaicos flutuantes em barragens de baixo desempenho pode oferecer uma vantagem dupla.

Uma delas é a construção de projetos fotovoltaicos mais baratos, já que subestações ou linhas de transmissão adicionais não seriam necessárias.

Em segundo lugar, esses projetos permitiriam utilizar a energia das turbinas hidráulicas como uma reserva, que seriam acionadas apenas para compensar a produção variável das placas solares.

Além dessas duas vantagens, estudos sobre a implantação de usinas flutuantes mostraram que a cobertura das placas sobre a superfície das água ajuda a reduzir a sua evaporação.

Inaugurada em 2019, a usina solar flutuante na hidrelétrica de Sobradinho, localizada no rio São Francisco, estado da Bahia, é um dos projetos pilotos que testa a eficiência da tecnologia no Brasil.

A usina possui 1 Megawatt de capacidade e é de responsabilidade da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), que pretende expandi-la para 5 MW.