Renováveis e carros elétricos mostram maior resiliência durante a crise

Relatórios internacionais mostram que as fontes de energia renováveis e os carros elétricos estão resistindo melhor aos efeitos da crise que as fontes e os veículos tradicionais.

A pandemia do coronavírus e as consequentes medidas de isolamento trouxeram severos impactos a todos os grandes setores da economia mundial.

Segundo estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda energética mundial deverá registrar um recuo de 6% em 2020, a maior queda dos últimos 70 anos.

A quantidade é sete vezes maior que a queda registrada após a crise financeira de 2008 e equivale a todo o consumo elétrico da Índia, terceiro maior consumidor mundial.

Embora os impactos sejam gerais, o relatório da IEA mostra que os combustíveis fósseis, em especial o carvão e o gás natural, sofrerão maiores perdas do que as fontes renováveis.

A queda na demanda por quase todos os principais combustíveis é impressionante, especialmente para o carvão, petróleo e gás. Somente as energias renováveis estão se sustentando durante a queda inédita no uso de eletricidade”, disse o Dr. Fatih Birol, diretor-executivo da IEA.

Com custos de produção mais baixos, as fontes de energia verde tiveram seu uso priorizado durante a crise, levando a uma grande mudança do setor elétrico mundial em direção às fontes de baixo carbono.

Os destaques desse segmento são as energias fotovoltaica e eólica, que continuam crescendo e deverão ajudar a elevar a geração de eletricidade renovável em 5% em 2020.

No geral, a IEA estima que as renováveis, que ainda incluem as fontes hídrica e nuclear, deverão responder por 40% da geração mundial neste ano, 6% a mais que o carvão mineral.

Fonte elétrica mais afetada pela crise, o carvão deverá registrar uma queda de 10% neste ano, segundo o relatório, maior queda desde a Segunda Guerra Mundial.

O gás natural, que vinha de um crescimento consecutivo de 10 anos, deverá cair 5% em 2020.

Pelo lado positivo, essa transição do setor elétrico mundial deverá vir acompanhada de uma queda inédita de 8% nas emissões de CO², segundo a IEA.

Carros elétricos

Na indústria automobilística, o cenário também está mais favorável para as soluções sustentáveis, e o segmento de carros elétricos deve sofrer menos do que o de modelos a combustão.

Segundo o relatório da empresa de inteligência de negócios BloombergNEF, a venda de veículos convencionais deverá registrar uma queda de 23% este ano, 5% a mais que a de carros elétricos.

Assim, da mesma forma que as fontes de energia alternativas na geração mundial, os veículos elétricos deverão ampliar a sua participação de mercado neste ano.

Mesmo com uma recuperação de curto prazo nas vendas dos modelos convencionais após a pandemia do Covid-19, a BloombergNEF estima que os carros elétricos continuarão ganhando espaços nos próximos anos.

Até 2040, a empresa estima que 58% das vendas mundiais de automóveis serão de veículos elétricos, com 31% de participação deles na frota de carros em circulação no mundo.