Solar e eólica serão líderes na matriz elétrica brasileira, aponta estudo

Hoje apenas coadjuvantes da geração elétrica centralizada no Brasil, as fontes de energia solar fotovoltaica e eólica irão tomar a dianteira em um futuro próximo e atingir capacidades de 59 GW e 69 GW, respectivamente.

É o que apontou um estudo realizado pela organização alemã GIZ, em parceria com o MME (Ministério de Minas e Energia) e com participação da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e do ONS (Operador Nacional do Sistema).

Prevista para ser divulgada ainda esse mês, a pesquisa mostra também como a energia de hidrelétricas, hoje líder absoluta com mais de 60% da matriz brasileira, irá se manter praticamente inalterada nesse mesmo período.

“O fato é que essa matriz tão diferente da que a gente tem hoje, consistente com a transição energética, aponta para paradigmas de operação completamente diferentes”, relata Marcelo Prais, diretor de TI, Relacionamento com os Agentes e Assuntos Regulatórios do ONS.

Segundo Prais, os reservatórios das hidrelétricas, que naturalmente fazem a transferência de energia armazenada no período úmido para o período seco, vão ficar muito próximos de uma operação flat ao longo do ano.

Dessa forma, essas usinas já começam a aportar outros tipos de serviços, em complementariedade às fontes não controláveis (ou intermitentes), como são chamadas as usinas solares e eólicas.

Outro exemplo da mudança de paradigma são os Custos Marginais de Operação (CMO) da região Nordeste, que ficarão mais baratos no período seco do que no período úmido e devem descolar o CMO médio não apenas localmente, mas nas demais regiões do país.

“Todos esses números são reflexões para a gente fazer com relação a mudança que está por vir, o grande desafio da transição energética.”, diz Prais.

Neste cenário de transição da matriz é importante observar os atributos de cada fonte, como emissão de CO2, o custo da infraestrutura, os serviços de geração em termos de modulação, sazonalização, confiabilidade, robustez. 

Para Gabriel Cavados, gerente sênior de Desenvolvimento de Projetos da Wärtsilä, é preciso dar um sinal para o futuro ao escolher a tecnologia que vai atender o sistema elétrico brasileiro, porque ela vai ficar por 40, 50 anos, e pode afetar o custo da flexibilidade.

“Usinas a carvão, gás em ciclo combinado e nuclear eu acredito que estão com os dias contados”, previu o executivo.