Financiamentos Crescentes Somam Mais de US$ 1,9 Trilhão Investidos em Projetos Poluentes Desde 2016, Mostra Relatório

Apesar dos apelos cada vez mais urgentes pela descarbonização mundial, um novo relatório divulgado mostrou uma triste realidade em curso no mundo: financiamentos para projetos elétricos movidos a combustíveis fósseis aumentaram consecutivamente desde 2016.

O estudo, realizado por seis organizações não governamentais, Banktrack, Rainforest Action Network, Indiegnous Enviromental Network, Oil Change International, Sierra Club e Honor The Earth, informa que US$ 612 bilhões foram investidos em fontes poluentes em 2016, US$ 646 em 2017 e US$ 654 em 2018.

Ao todo, os financiamentos para projetos emissores de CO2 somaram mais de US$ 1,9 trilhão desde a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015, quando 195 países firmaram acordo para redução de suas emissões de carbono com combate ao aquecimento global.

O montante de apenas 3 anos é igual a todo o investimento mundial que seria necessário até 2035 para manter a temperatura mundial abaixo de 1,5 º, segundo o estudo divulgado em outubro pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU (Organização das Nações Unidas).

Entre os bancos que mais financiaram esses projetos, o conglomerado americano JPMorgan Chase teve de longe a maior participação, com U$196 bilhões investidos, seguido pelos bancos Wells Fargo, Citi e o Banco da América, também americanos.

O relatório afirma, inclusive, que os 6 gigantes do setor bancário dos EUA estão entre os 12 maiores investidores de projetos fósseis, colocando o país como o líder no financiamento de energia suja, com 37% dos investimentos.

Além desses, bancos canadenses, japoneses e europeus também estão entre os que liberaram crédito para construção de usinas à carvão e semelhantes, como informou o relatório, intitulado “Bancando a Mudança Climática – Relatório de Financiamentos de Combustíveis Fósseis 2019”. 

Indo na contramão, entretanto, vários bancos já haviam anunciado no ano passado o corte de investimentos em projetos elétricos poluentes, como o conglomerado Marubeni, que no ano passado anunciou a redução de metade dos projetos financiados à carvão e aumento de crédito para usinas movidas à fontes limpas. 

Mas, embora possa levar algum tempo até que o corte no financiamento de energia a carvão tenha um efeito real sobre a indústria, o último relatório revela que as coisas ainda estão longe de melhorar.

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